Hans Zinza: Ranzinzices contra tudo e a favor de quase nada

Hans Zinza: o Filósofo Faminto ainda vive!

Eram comunistas e nem sabiam

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É pessoal. Podem fazer essa cara de “Santamãe, Batman! Mais uma teoria!”, pois vem aí mesmo mais uma teoria.Ou teoreta, como prefiro dizer, já que é tão curta quanto uma anedota de salão.
Vamulá: quem por aqui não faltou muitas aulas de história/geografia/geopolítica do primeiro ou segundo graus (ensino fundamental ou médio, como se diz por estes tempos)deve se lembrar do período estudado entre 64-88, os tais “anos de chumbo”. Dizem ter sido anos em que abriu a boca, tomava chumbo. Hoje há uma diferença básica. Você toma chumbo só quando consome comida industrializada, ou se mora em alguma cidade com mais de 100 habitantes. Nada como a democracia, essa palavrinha que em bom português não é nada mais do que “grego”.

Foram tempos em que havia um inimigo mortal a ser combatido: o comunismo. Um monstro terrível que pela ideologia da época comia criancinhas… E assim, os militares que haviam subido ao poder à base da malandragem e revanchismo e boas puxadas de tapete decretaram essa caça às bruxas sem nem mesmo existir comprovadamente, comunistas aqui no Brasil. E se existissem, que mal poderiam fazer? Comer crianças parece muito cartunesco, mesmo em tempos de escândalos de pedofilia em instituições acima de qualquer suspetia.

O fato é que naquela época, o povo, tão ignorante quanto os milicos, davam voz à esta abobrinha. Havia de se conter o avanço do comunismo. O que se seguiu em grande parte foram dedurações por parte de gente desafeta que denunciava conhecidos ou colegas de trabalho como comunistas sem que estes nem o fossem. Tudo pra ver o tombo do sujeito e as notícias no jornal no dia seguinte, com mais um pobre infeliz que havia se suicidado com dois ou três tiros disparados contra a própria cabeça (!).

Pega! Pega o comunista! -Peraí! Ele também é soldado... -Ih... é? Peeegaa!

Bem, o que os milicos não sabiam dessa ação toda de combate, é que eles estavam fazendo do Brasil um país comunista, achando que estavam na verdade banindo-o daqui.

Senão, vejamos:

1 – Protecionismo comercial era coisa de comunista.
Curiosamente, tínhamos por aqui reserva de mercado pra praticamente tudo: informática, alimentos industrializados, tecnologia, carros…

2 – Censura prévia era coisa de comunista.
Essa nem preciso comentar.

3 – Pane et Circensis era coisa de comunista.
Por aqui, o futebol e as copas de mundo eram usadas como máquinas para venda da imagem positiva do militarismo.

4 – Estado atuando demais no mercado era coisa de comunista.
Vejam só: havia uma estatal para a produção de café, o IBC – Instituto Brasileiro do Café; A SUDAM, SUDENE E SUDECO, superintendências que teoricamente seriam pra desenvolver o norte/nordeste e centro-oeste do Brasil. Na prática, serviram pra criar currais eleitorais e fortalecer oligarquias.
Havia a Telebrás, na telefonia. Telefone era artigo de luxo. Mas era totalmente seu. Você comprava ações da empresa e ele era unicamente seu. Era um objeto financeiro e era seu. Hoje, você é no máximo dono de uma conta mal-explicada e com cobranças suspeitas.

5 – Carros que mais pareciam carroças era coisa de comunista.
Bom, nossos carros continuam caros e pelados. Mas antes eram caros, pelados e ruins. Duvidam? Os primeiros carros a desembaracarem por aqui, em 1991, eram russos e a Rússia tinha recém derrubado sua cortina de ferro. Os carros deles eram ruins. Muito ruins. Mas ainda competiam com os nossos.

Hoje, os carros chineses são ruins. Mas competem e até ganham dos nossos.

6 – Doutrinar as crianças era coisa de comunista.
Nas escolas, havia o OSPB – Organização Social e Política Brasileira. Uma disciplina que nada mais servia pra repetir o mantra do manda quem pode –milico, obedece quem tem razão –povo civil. Esse câncer foi removido das escolas, mas continua sendo repetido nos quartéis pra molecada que entra a cada ano no serviço militar.

Por essas razões, digo que no período militar o Brasil foi um país comunista de mercado. Mas de mercado fechado. Tudo o que nos chegava, chegava com uns bons anos de atraso e qualidade ruim. A versão verdadeira dos fatos era a da Tv e nem preciso dizer que TV era essa…

Esse era o Brasil de meus pais e de certa forma, de meus primeiros anos, já que nasci em 1982 e na época o interventor (ou outro nome que se dê a isso) era João Figueiredo.

————-

Em tempo: Nossa primeira enquete estréia hoje. Vota aí. Você não vai fazer nada mesmo…

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Written by Francelino

24/12/2008 às 15:16

Publicado em Falando Blogagens...

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